Antonio Adolfo & A Brazuca

“O TÍTULO de uma música de grupo em questão já diz tudo: “Que se dane”. Se algum dia a música brasileira teve uma atitude dessas, com certeza foi numa das sessões de gravação de um dos antigos LPs de Antonio Adolfo & A Brazuca. Foi uma das fases mais criativas da nossa música, um daqueles raros momentos em que se percebe que tudo é possível. Até mesmo misturar toada, soul, samba, rock e psicodelia. A receita acima aparece no dois discos que o tecladista e compositor Antonio Adolfo gravou ao lado da Brazuca, pela antiga Odeon. Para quem quiser conferir, ambos os discos estão em catálogo em CD – o primeiro, que contém o sucesso “Juliana”, saiu já há algum tempo, na série Odeon 100 anos, e o segundo, fora de qualquer série, já pode ser encontrado em algumas lojas. Um pouco de história, para quem não conhece: Antonio, nascido Antonio Adolfo Maurity Sabóia (sim, ele é irmão do sumido Ruy Maurity) vinha da mistura de jazz e bossa nova em grupos como Samba 5 e Conjunto 3D – o apreço pela mistura de brasilidade e tecnologia, que dá as caras nas letras e melodias da Brazuca, já aparece aí. Antonio trabalhou com muita gente, mas é mais conhecido pela parceria com o letrista Tibério Gaspar, que deu em um rico leque de canções gravadas por Wilson Simonal (“Sá Marina”), Toni Tornado (“BR-3”), Trio Ternura (“Manequim”), Evinha (“Teletema”), etc. Sucesso não faltou: “Teletema” teve a glória de ser uma das primeiras músicas do país veiculadas em trilhas de novelas (Véu de noiva, 1970, lançada pela Philips). E “BR-3”, soul lisérgico de primeira linha, foi classificada num Festival Internacional da Canção. Pouco antes dessa época, Antonio & Tibério já haviam se juntado a um time daqueles: as vocalistas Bimba e Julie, o baixista Luizão Maia (acompanhante de artistas como Elis Regina e Erasmo Carlos e tio do também baixista Arthur Maia), o guitarrista Luiz Cláudio Ramos e o baterista Vitor Manga. O primeiro disco do novo grupo, Antonio Adolfo & A Brazuca, saiu em 1969 saudado por Carlos Imperial, Roberto Carlos, Chico Anísio, Augusto Marzagão e Luizinho Eça (que escreveram os textos da contra-capa) e puxado por “Juliana”, outro hit turbinado por festivais (2º lugar no IV FIC). No recheio, toada-soul (a própria “Juliana”), sons influenciados por Beatles (“Futilirama”, “Dois tempos”), uma espécie de ciranda moderna (“Moça”), soul brasileiro psicodélico (“Vôo da Apolo”, com pioneiros efeitos de teclados) e outras melodias de emocionar, como “A cidade e eu”, “Pelas ruas do meu bairro” e a animadinha bossa-soul “Maria Aparecida”, além da versão original de “Teletema”, fechada por conversas de estúdio e pelo bater de uma porta. Um trabalho maravilhoso que, sabe-se lá porquê, nunca havia sido relançado. E como já saiu há algum tempo, reze para encontrar algum por aí.” Brazuca Antonio Adolfo & A Brazuca (1969) antonioadolfo (1)

Faixas

Antônio Adolfo: Piano, Piano Elétrico, Arranjos

Luiz Cláudio Ramos: Guitarras

Luizão Maia: Baixo

Vitor Manga: Bateria

Bimba: Vocais

Julie: Vocais

Download:

https://mega.nz/#!kkhFXLbb!HUF_L0tMoDGFRlcTRoEqJrrBNTiEBmft0nqjKT3Imm4

Compacto 1970

brazuca 2

Antonio Adolfo & Brazuca 1970 – Odeon

01 – Glória, Glorinha (Antonio Adolfo – Tibério Gaspar)

02 – O baile do clube (Antonio Adolfo – Tibério Gaspar)

03 – Ao redor (Antonio Adolfo – Tibério Gaspar)

04 – M. G. 8 – 80 – 88 (Antonio Adolfo – Tibério Gaspar)

Bônus: 05 – 2 minutos de um novo dia – do LP do II Festival universitário (Ruy Maurity/José Jorge)

06 – Quebra cabeça – V FIC 1971 (Paulinho Soares – Marcello Silva)

Download:

https://mega.nz/#!wkghBa7C!FUxsh5Kdefqu4nm3s2MwruygqtRihBMOiijN9nOWD2o

Antonio Adolfo & A Brazuca (1971)

AntonioAdolfo_Brazuca 2 “O segundo Antonio Adolfo & A Brazuca saiu em 1971 e marcou várias mudanças na banda. Pelo astral hippie da capa, já dá para perceber que o mergulho no soul e no rock foi total. Julie deixou a banda e foi substituída por um vocalista, Luiz Keller. E uma história curiosa: Vitor Manga deixara o grupo para excursionar com Wilson Simonal no México, um ano antes. Seus problemas com drogas acabaram fazendo com que o cantor de “Sá Marina” o despedisse – e ele, desgostoso, acabou morrendo de overdose. A tristeza com a partida de Vitor acabou gerando a carregadíssima balada “Tributo a Vitor Manga”, literalmente chorada e berrada por Keller. Uma curiosidade: Vitor era sobrinho do homem-de-televisão Carlos Manga, que após a morte do músico, decidiu se vingar procurando Wilson Simonal durante meses, munido de um revólver – fato que foi revelado pelo próprio Carlos Manga, numa entrevista à Playboy, já nos anos 90. Vários amigos em comum acabaram impedindo que o encontro entre os dois acontecesse. Mais surpresas podem ser encontradas em músicas como “Panorama” (inspiradíssima em Marcos Valle), “Pela cidade”, no clima samba-jazzy “Cláudia”, na psicodelia de “Atenção! Atenção!”, no progressivismo de “Transamazônica” e no soul pesado e hippie de “Que se dane”. A primazia da parceria Antonio & Tibério é substituída por várias composições da dupla Luiz Cláudio Ramos/Mariozinho Rocha e por músicas creditadas à Brazuca.

Após os dois discos gravados ao lado do grupo, Antonio lançaria mais um pela Philips, em 1972, e depois passaria a se dedicar à produção independente, gravando e distribuindo seus discos por conta própria, a partir do pioneiro selo Artezanal. Tibério iniciaria uma parceria com o cantor e compositor Guilherme Lamounier – que geraria um disco solo de Guilherme pela Continental em 1973 e o sucesso “Cabeça feita”, gravado pela banda carioca O Peso – e recentemente lançou um CD solo. E mesmo não aparecendo tanto na mídia, a usina de criações da dupla já chamou a atenção até de pessoas improváveis – pode perguntar ao punk Jello Biafra, que já andou citando Antonio Adolfo em entrevistas.” Texto de Ricardo Schott, publicado no extinto site discotecabasica.com.

Faixas
3 Tributo a Victor Manga
(Brazuca)
5 Grilopus nº 1 (1ª parte)
(Antônio Adolfo)
7 Atenção! Atenção!
(Brazuca)
9 Transamazônica
(Brazuca)
10 Cortando caminho
(Brazuca)
11 Grilopus nº 1 (2ª parte)
(Antônio Adolfo)

Adolfo: Piano, Piano Elétrico, Arranjos

Luiz Cláudio Ramos: Guitarras

Luizão Maia: Baixo

Paulo Braga: Bateria

Bimba: Vocais

Luiz Keller: Vocais

Download:

https://mega.nz/#!0pJViIQY!ufHvpwmwZJe1Tb0j0VUBTwAWy5hLlbtagH1usGFfxDo

Duas obras primas da música brasileira de uma banda singular e muito criativa com um som totalmente atual até hoje. Pode-se destacar além do groove e das belas melodias, as letras que são um show a parte, considero o Tibério Gaspar um dos melhores letristas que eu conheço, é ouvir e chapar no som.

Fiquem com Vôo da Apollo – a faixa mais lisérgica do primeiro disco.

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